A escrita

a escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente... areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada



esta paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
a língua de limos



espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rasto de esperma à beira-mar



outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do crepúsculo


Al Berto

Comentários

camilo disse…
Olá

Daqui, deste cantinho, sem mar mas com céu azul e brilhante,ar frio trespassado de odores apetitosos do saboroso fumeiro transmontano, envio-lhe os meus votos de boa semana de trabalho.
Neste momento em que escrevo, a ministra Alçada está ali a ser espremida até ao tutano (Prós e Contras)...
Beijos
Camilo
nêspera disse…
Olá :)

Como espremida até ao tutano?!?
Os invertebrados não têm....

Olhe, acabei de comer uma francesinha, mas acho que ainda arranjaria espaço para uma rodela de salpicão, outra de chouriça e, quiçá, uma alheira!

Xi-❤

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