À entrada da noite

Fogem agora, os olhos; fogem
da luz latindo.
Estão doentes, ou velhos, coitados,
defendem-se do que mais amam.
Tenho tanto que lhes agradecer:
as nuvens, as areias, as gaivotas,
a cor pueril dos pêssegos,
o peito espreitando entre o linho
da camisa, a friorenta
claridade de Abril, o silêncio
branco sem costura, as pequenas
maçãs verdes de Cézanne, o mar.

Eugénio de Andrade


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