Um dia de sol

Eu amo as coisas que as crianças amam,
          Mas em compreensão funda, acrescida,
Que eleva a minha alma, de anelante,
          Sobre aqueles onde inda dorme a vida

Tudo o que é simples e é brilhante,
          Despercebido à mais aguda mente,
Com infantil e natural prazer
          Faz-me chorar, orgulhosamente.

Eu amo o sol com o seu brilho intenso,
          O ar, como se pudesse abraçar
Com minha alma sua vastidão,
          Embriagado de tanto o olhar.

E amo os céus com tal alegria
          Que me faz de minha alma admirar,
Uma alegria que nada detém,
          Uma emoção que não sei controlar.

Aqui estendido deixem-me ficar
          Diante do sol, da luz absorvida,
E em glória deixem-me morrer
          Bebendo fundo da taça da vida;

Absorvido no sol e espalhado
          Por sobre o infinito firmamento
Como gotas de orvalho, dissolvido,
          Perdido num louco arrebatamento;

Misturado em fusão com toda a vida,
          Perdido em consciência, impessoal,
Fico parte da força e da tensão,
         Pertença duma pátria universal;

E, de modo estranho e indefinido,
          Perdidos no Todo, um só vivente,
Essa prisão a que eu chamo a alma
          E esse limite a que chamo mente.

Alexander Search



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