As mãos do meu pai

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da cor da terra
— como são belas as tuas mãos pelo quanto lidaram,
acariciaram ou fremiram da nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.

E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da
tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste
alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?

Ah! como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!

E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosa...
essa chama de vida — que transcende a própria vida
...e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

Mário Quintana


Comentários

Anamaria do Val disse…
que linda essa poesia... e me lembrou de uma musica linda também, da Mercedes Sosa, " las manos de mi madre son como pajaros en el aire..."acho que é isso
nêspera disse…
Mercedes Sosa?
Uma das canções da minha vida:
http://eraumavezumanespera.blogspot.pt/2011/02/lindo.html

E sim. é “las manos de mi madre son como pajaros en el aire” de Peteco Carabajal.

Bjis :)

Mensagens populares deste blogue

🎶zeca afonso🎶maio maduro maio🎶