(Pre)Sente!

Há momentos na minha vida em que me sinto bafejada pela sorte por ser a pessoa mais mimada do mundo. É nessas alturas que eu procuro a força necessária para conseguir ultrapassar as adversidades que surgem ao longo da vida. Tenho tido algumas... Mas também tenho momentos de indescritível felicidade. Se calhar como toda a gente, e vivo ambos com muita emoção e muita intensidade.

Fui muito mimada pelos meus pais, não fosse eu a filha caçula e já tardega. Fui e sou muito mimada pelos meus irmãos, não fosse eu a garota. Fui e sou muito mimada pelos meus sobrinhos, não fosse eu a tia que não é bem tia. Fui e sou muito mimada pelos meus amigos. Os de sempre e os recentes.  Fui e sou muito mimada pelos amigos dos meus irmãos. Os de sempre e os recentes.

A história que tenho para contar é longa e longínqua. E é curta e propínqua. Nem sei bem por onde começar... Pelo princípio ou pelo fim? Pelo passado ou pelo presente? Pelo presente, obviamente! Mas pelo presente presente ou pelo presente passado? Hummm... Vou começar pelo presente passado.

Quando eu era criança, muito criança, a minha casa (sim, porque a casa da minha irmã e madrinha também é minha e vice-versa) era frequentada por pessoas interessantíssimas, com queda para as artes, com jeito para tudo. Teatro, música, desenho... havia, por isso, amigos mais velhos que se juntavam em tertúlias que se habituaram a ver-me sempre por entre as suas pernas e fazer muitas tropelias, diga-se de passagem. “Ai o raio da garota... não pára quieta...”, ouvia de vez em quando. Mas eu não me importava e continuava a fazer das minhas!

Vem isto a propósito de um amigo que me ofereceu um palhaço feito pelo seu punho, feito ali, de três penadas, que na altura me pareceu que até eu seria capaz de o fazer, tal foi a facilidade com que o desenhou e pintou. Um palhaço lindo, com calças aos quadrados, camisa às riscas e um guarda-chuva na mão direita. Foi um palhaço que me acompanhou durante muito tempo, mas como sempre fui caracol e andei de casa às costas, sempre em mudanças e mais mudanças, aconteceu o que era mais provável. Perdeu-se... E não pensei nele durante muitos anos. E, confesso, só pensei na pessoa que mo ofereceu de tempos a tempos. Apenas quando vinha à lembrança alguma recordação do tempo em que me sentia a pessoa mais amada deste e de outros mundos.

Há relativamente pouco tempo, andava eu pelas minhas deambulações cibernáuticas, e dei de caras com um blog que dá pelo nome de Funcionamento de certas coisas. Nem queria acreditar! Encontrei, por mero acaso, a pessoa que me havia oferecido o meu palhaço há muitos anos atrás. O meu palhaço... lembrei-me imediatamente do meu palhaço perdido...

É claro que enviei um comentário para o seu blog a lamentar a perda do meu palhaço. Depois comunicámos por mail, uma vez que ele não conhecia nenhuma nêspera que não quer ficar deitada, muito menos calada, apenas a ver o que acontece. E eu tinha quase a certeza que já não se lembrava de mim e muito menos do meu palhaço. Foi uma situação engraçada, esta de reencontrar alguém que não via há muito tempo...

Quis o destino que a minha mana madrinha deixasse a casa onde viveu mais de vinte anos e se mudasse para uma casa fabulosa, com uma vista divina. Imaginam o que se acumula em mais de duas décadas? Ou melhor, imaginam o que a minha madrinha acumulou durante toda a vida?!?
A mudança foi muito demorada. Foi tudo passado a pente fino. Papel por papel. E ela desanimou às vezes, que eu sei... Mas conseguiu fazer tudo para que estivesse pronta no Natal! É super, esta minha madrinha.

Pois bem, sem mais rodeios, cá vai o presente presente. Não é que nesta mudança, o meu palhaço apareceu! Sei lá, bem onde... no meio de Patinhas e Patos Donald e de testes antigos do N. e de bilhetes com recados e sei lá mais o quê! Aquelas coisas que se têm nos terceiros, que agora se chamam pomposamente de arrumos. No meio de tudo, evidentemente!

Pois é. Neste Natal, a minha madrinha surpreendeu-me e bem com um dos seus presentes. O meu palhaço, amarelecido pelo tempo, continua lindo. Agora, emoldurado, já tem parede destinada. E quer-me parecer que nunca mais o vou perder de vista. Eu não disse que a minha madrinha é super?

Digam lá a verdade. Sou ou não sou a pessoa mais mimada do mundo?


Sou muito emotiva, afectiva e outras coisas que tais e, por isso, tive uma certa dificuldade em encontrar um título para este post. Começou por ser Há palhaços e palhaços. Depois escolhi Presente Passado e Presente. Ainda pensei em simplesmente Presente. Mas, como quero que fique bem na memória este Dia de Natal do Ano da Graça de 2012, optei por (Pre)Sente!, nem eu sei por quê. *.*

Comentários

Anamaria do Val disse…
Nêspera, você é mesmo uma pessoa muito especial. Adorei saber mais esse pedacinho da sua vida. Que delícia reencontrar o palhaço! Acho que é destino, ele tinha mesmo que estar aí pertinho de você. Lindo! Um beijo e um bom dia de Natal
nêspera disse…
Anamaria, pessoa especial és mesmo tu. Todos nós te achamos um doce!

O meu palhaço... imaginas os anos que tem?!? Esteve ‘perdido’ durante anos! O presente da minha madrinha foi o top! :)

Bjis de Bom Natal :)
Sara disse…
O que de facto "precisamos" ter ou saber, sempre acaba por vir até nós, no tempo certo para SENTIR.



Um beijo e um sorriso
nêspera disse…
E nada acontece por acaso... muito menos o sentir!

Bjis :)
Paula disse…
Um texto lindo de uma menina linda,com uma sensibilidade..upa upa!!! Adorei!
(bem, aliás como tudo o que postas!!!Continua a deleitar-nos com a essência do teu ser! bj
nêspera disse…
Minha querida Paula!!!
Saudaaaaades......

Ainda bem que gostaste. Vindo de uma pessoa sensível e bondosa como tu (e que me conhece tão bem) posso acreditar que se percebe o meu sentir...

Bjis e xis e tudo :)

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